Querida Sandra,
Hoje tive uma epifânia! Quem se faz de vítima, é vítima de si mesmo.
Eu estou cansado de conviver com esses seres humanos que se fazem de vítima e reclamam de sua própria condição.
Eu sei que parece um conteúdo de uma carta intolerante, mas eu tenho dificuldade de entender essa pessoa.
Ela deixa que os outros façam ela de gato e sapato, quando pedem uma coisa abusiva (além da capacidade ou do escopo das atividades do seu serviço) ao invés de falar não ela aceita, se sente abusada, mas não enfrenta seu abusador. Porque na realidade ela criou esse abusador.
No instante que ele pediu a primeira coisa além ela não disse não. Claro que não estou tirando a culpa do abusador. Mas a solução tem de partir dela.
Dizer um não para aquilo que você não tem escopo ou capacidade de fazer é uma redenção, não só para você, mas para quem pediu, pois se você não tem plena capacidade de executar o serviço sai mal feito.
A valorização tem de partir de si mesmo.
O pior não é só o dano próprio. Mas quem vive nessa situação age como aqueles adolescentes dependentes químicos que vemos nos programas sensacionalistas da TV: "ele destrói a sua vida e a da família".
Quando essa pessoa chega em casa ela vem reclamar de tudo isso com os familiares como válvula de escape.
E você me pergunta: porque você não fala isso para essa pessoa?
Quem disse que eu não falei? A verdade é que santo de casa não faz milagre.
Tem dia que estou disposto a escutar, tentar entender. Tem dia que eu consigo ignorar. Mas tem dia que eu estou lidando com os meus problemas pessoais, meus transtornos mentais e emocionais e ouvir reclamação como se eu fosse o culpado não ajuda! Nem estou com paciência, essa é uma palavra muito bonita, na verdade não tenho saco mesmo pra aguentar essa ladainha que dura anos e a pessoa não quer tomar as rédeas da sua própria vida.
Estou cansado, não vejo saída do meu dilema, pois não depende mais de mim.
Você diria que eu tenho que me afastar dessa pessoa, mas o que me amarra aqui é mais forte do que você pode imaginar, laços de parentesco terríveis que fazem você se sentir mal em ficar e mal de se afastar.
Com profundo desespero levemente contido pelos ansiolíticos,
Seu sobrinho insuportável.
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